segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Até ao fim...



Não podia deixar de prestar a minha homenagem ao homem que me inspirou a criar este blog, Tom Morello "The Nightwatchman".
Confesso que, hoje foi verdadeiramente complicado encontrar inspiração e disponibilidade mental para redigir este "post". A merda da rotina, dos ciclos de atrofia criativa, o ritmo desta estúpida sociedade que nos suga a pouca energia positiva que temos para fazer algo construtivo.
Somos peças facilmente substituíveis de uma impiedosa engrenagem que não pára, e se cedemos somos o elo mais fraco, sofrendo as consequências de estarmos aquém do expectável (palavra da moda).
Como diria um poeta canibal de Braga, "Penso que Penso" para minha infelicidade, "Ignorance is bliss".

domingo, 16 de setembro de 2007

Negra sensualidade.



Parabéns aos meus amigos, pela noite bem passada, na sexta feira no "Flash Caffe Bar", certamente se repetirá. Noite negra plena de sensualidade e pessoas positivamente diferentes.



É sempre positivo ouvir bons conselhos, ultimamente tenho ouvido muitos e bons, aqui ficam alguns de um ser humano iluminado pela paz. Para ler, pensar e se possível aprender.



"Seria muito mais produtivo se as pessoas procurassem compreender seus pretensos inimigos. Aprender a perdoar é muito mais proveitoso do que simplesmente tomar de uma pedra e arremessá-la contra o objecto de sua ira. Quanto maior a provocação, maior a vantagem do perdão. É quando padecemos os piores infortúnios que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem a si e aos outros.

A agressão é uma tendência que faz parte do nosso íntimo. Por isso, temos de lutar contra nós mesmos. Homens criados em ambientes rigorosamente não-violentos acabaram se transformando nos mais horríveis carniceiros. O que prova que a semente da mais insana agressividade mora nas profundezas de cada um de nós. Mas nossa verdadeira natureza é de modo geral pacífica. Todos nós conhecemos as agitações da alma humana, que está sujeita a imprevistos assustadores. Mas essa não é a sua força dominante. É possível e é necessário dominar a agressividade.

O que mais nos incomoda é ver nossos sonhos frustrados. Mas permanecer no desânimo não ajuda em nada para a concretização desses sonhos. Se ficamos assim, nem vamos em busca dos nossos sonhos, nem recuperamos o bom humor! Este estado de confusão, propício ao crescimento da ira, é muito perigoso. Temos de nos esforçar e não permitir que a nossa serenidade seja perturbada. Quer estejamos vivendo um grande sofrimento, ou já o tenhamos experimentado, não há razão para alimentarmos o sentimento de infelicidade.

A felicidade é um estado de espírito. Se a sua mente ainda estiver num estado de confusão e agitação, os bens materiais não lhe vão proporcionar felicidade. Felicidade significa paz de espírito."

"Dalai Lama"

Uma boa semana para vocês meus bons amigos.

sábado, 8 de setembro de 2007

Aves raras...



"Tradução de Machado de Assis do poema "The Raven" de Edgar Alan Poe.

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o colchão refletia
A sua última agonia.
Eu ansioso pelo Sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui, no peito,
Levantei-me de pronto, e "Com efeito,
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."

Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo, e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso
Já cochilava, e tão de manso e manso,
Batestes, não fui logo, prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse; a porta escancaro, acho a noite somente,
somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra
Que me amedronta, que me assombra.
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Alguma coisa que sussurra. Abramos,
Eia, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais,
Devolvamos a paz ao coração medroso,
Obra do vento, e nada mais."

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
de um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta em um busto de Palas:
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gosto severo, - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais."

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que eu lhe fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta a dizer em resposta
Que este é seu nome: "Nunca mais."

No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário.
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse,
Nenhuma outra proferiu, nenhuma.
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
"Tantos amigos tão leais!
"Perderei também este em regressando a aurora."
E o corvo disse: "Nunca mais."

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais."

Segunda vez nesse momento
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E, mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera,
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais."

Assim posto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível:
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
E o corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No Éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais,
"Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o corvo disse: "Nunca mais."

"Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa! (clamei, levantando-me) cessa!
Regressando ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo...
Vai-te, não fique no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua.
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o corvo disse: "Nunca mais."

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!"

Aqui está a minha singela homenagem a um filme que marcou a minha adolescência, "The Crow" filme amaldiçoado pela morte nas filmagens do protagonista Brandon Lee e não só. O vídeo é da banda sonora do filme, a musica "Dead Souls" é um original do Joy Division (só descobri hoje, uma das bandas preferidas de um grande amigo) na interpretação dos Nine Inch Nails, muito bem conseguida diga-se de passagem, isto para quem não conhece o original.

Esta semana aproveitei as férias e fui ver o "Death Proof" do Tarantino e sinceramente achei banal. O homem está a ficar decadente, além dos habituais efeitos arcaicos de imagem e de "Gore", o filme resume-se à exploração da imagem das interpretes femininas. Basicamente apresenta-nos um conjunto de "gajas" que consome excessivamente álcool, drogas e "gajos", que acabam por ser vitimas de um pseudo "serial-killer" ( Kurt Russel, de actor fetiche de John Carpenter, a capacho do Tarantino). Não vou estragar o prazer nem a desilusão de ninguém, mas para mim não passa de "Fast-Food" cinematográfico direccionado para um público feminino ( clube de fãs das "Donas de Casa Desesperadas" e afins). Se acho um tradicional filme do James Bond ridículo pelo seu conteúdo, este não me parece diferente, apenas muda a roupagem.

Fiquem bem meus amigos, saudações revolucionárias.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Orgulho e Preconceito


Aqui fica a letra traduzida na integra de um tema do primeiro álbum de Moonspell. Encontrei a tradução num site brasileiro,na versão original o refrão é em português.
Este apesar de alguma conotação Salazarista (fascismo e racismo são conceitos não presentes no panorama do Heavy-metal, isto apesar do que maioria da opinião publica idealiza, defendem sim a tolerância, rejeitando o preconceito e hipocrisia), deve ser interpretada como um exemplo de um nacionalismo saudável. É sem duvida uma imagem do que representam os Moonspell no panorama musical português. Só recentemente em Portugal tiveram algum reconhecimento, isto apesar de serem há muito tempo a banda portuguesa com mais impacto no estrangeiro.É bom lembrar que há mais de 10 anos o "Irreligious" era álbum de platina na Alemanha e Polónia. Foram a primeira banda portuguesa a passar um Video na MTV. Foram forçados a um exílio cultural no inicio de carreira , mudaram-se para a Alemanha, expressando-se na língua de William Shakespeare, nunca esqueceram a cultura lusa, invocando Fernando Pessoa, Mário Cesariny e também José Luís Peixoto. Hoje em dia tocam em todos os cantos do Mundo.


"Alma Mater" por Moonspell


"A Língua Materna me diz
Do modo mais forte que já vi
Sei que ela vê em mim
Seu motivo de orgulho, sua raça mais pura

Ela me diz em matizes
Que eu mal posso entender
Eu apenas sei que são nossos
E a eles, orgulhoso, me curvarei

Pois sou seu unico filho
E você, meu mistério querido
De um trono antigo, desafio o mundo
A ajoelhar-se diante do Poder contido.

Pois sou seu unico filho
E você, meu mistério querido
Mundo, não vês?
Apenas eu creio nisso?

Virando costas ao mundo
Orgulhosamente sós
Glória antiga, volta a nós!

ALMA MATER!

Ondas rebentando anunciam minha noiva
É o único modo como o Mar pode cantar
Lendas do Orgulho Lusitano
Ele canta as palavras que eu não posso espalhar

Na Montanha da Lua seis lobos uivam
Sua glória perdida retomaremos ou morreremos

Pois sou seu unico filho
E ela, meu mistério querido
Deus Pagãos conspiram
Pela espada da Tirania

A Língua Materna disse a ti
Do modo mais forte que já viram
Mundo, não vês?
Não sou só eu que creio nisso.

ALMA MATER!

Virando costas ao Mundo
Orgulhosamente
Gloria Antiga, volta a nos!

ALMA MATER!
A Língua Materna me diz
Do modo mais forte que já vi
Sei que ela vê em mim
Seu motivo de orgulho, sua raça mais pura

Ela me diz em matizes
Que eu mal posso entender
Eu apenas sei que são nossos
E a eles, orgulhoso, me curvarei

Pois sou seu unico filho
E ela, meu mistério querido
De um trono antigo, desafio o mundo
A ajoelhar-se diante do Poder contido.

Pois sou seu unico filho
E ela, minha tragédia querida
Mundo, não vês?
Não sou só eu que creio nisso.

Virando costas ao Mundo
Orgulhosamente

ALMA MATER!"

Este "post" vem no seguimento da minha presença no Festival "Marés Negras" que se realizou no passado sábado no Coliseu do Porto, decidi no calor do momento se havia de marcar presença, e em boa hora o fiz. Era importante contribuir para um evento que quebrou o total vazio que se tem feito sentir, no que diz respeito a concertos deste género musical no norte nos últimos tempos. É culpa em parte do encerramento do saudoso Hard-Club, e da não realização dos Festivais de Vilar de Mouros e Ilha do Ermal. Pena foi o preço excessivo que as quase 2000 pessoas que se deslocaram ao coliseu tiveram que desembolsar, de acordo com a organização do evento deveu-se à indisponibilidade da C.M. Porto e V.N. de Gaia em disponibilizar um espaço ao ar-livre. Será o preconceito?
Só assisti ás actuações de Kreator e Moonspell, bandas que já tinha visto a actuarem num mesmo evento no Hard-Club. Como no caso de Moonspell, já os vi a actuar mais de uma dezena de vezes, desta vez decidi inovar e vi o concerto no conforto de uma cadeira na tribuna, foi inédito para mim.

:)

Um bem haja, meus amigos.