A musica melancólica, a harmonia talvez um pouco deprimente dos Anathema. E a imagem de alguém com bastante tempo em mãos. Esse bem precioso, os grãos de areia que incessantemente se escoam por entre nossos dedos. A musica, o alimento da alma, esta que nos seus mais diversos estados e pontos de transição (talvez de ebulição?) traduz cenários de sentimentos e emoções por vezes antagónicos, por vezes sinónimos. Que nunca perca a capacidade de saber escutar, para poder criticar. Que nunca seja um escravo de preconceitos, ideias pré-concebidas e pressupostos pseudo intelectuais.
"VIRAR DE PÁGINA
A passos apressados, Ou languidamente Devagar… Aproxima-se…
Não sei se será, O final, Ou o principio, De tudo.
Mas a passos apressados, Caminho para o final.
Ele aproxima-se, Silenciosamente, Mas faz-se anunciar.
E eu, Todos nós, O abraçamos, Como amantes Em actos de ternura.
Nada se sabe Dele, se melhor Ou pior… Mas tenho esperança Que dele venha Algo de mudança.
Porque de tristeza, Ele nos brindou Porque sorrisos, Ele nos deu e nos roubou.
Que venha!
Traga alegria, E risos, rasgados De melhores dias.
Porque este ano, moribundo, Que se fina, Eu tenho recordação De muitas tristezas E de poucas alegrias."
por Augusto P.Gil
Um abandono anunciado, uma aposta perdida, um estigma na face, uma jornada de temor, um aniversário febril, inúmeras sintaxes e acentuações infecciosas, uma aproximação, o fim de a letargia de um sorriso amordaçado, um mal entendido, uma brisa quente de verão, um órgão vital enregelado, o irracional racional, as distracções que ofuscaram o essencial, uma mancha na alma, uma amizade ameaçada, um "Desculpa-me" nunca ouvido, princípios violados, outros reforçados. Tudo isto sem pausas, o reflexo de um ano que passa. Um ano mau? Não sei. Não sei o que virá, mas certamente ficarei imune a complicações de eventos similares, perdoem-me o "cliché", mas o que não mata seguramente nos torna mais fortes. Mas ficam as marcas, as tatuagens da vida que sem duvida nos definem como Homens, as cicatrizes desse enorme privilégio que é existir.
O facto de sofrermos não é justificação para fazer sofrer alguém, espero que este meu ultimo "Post" não seja sofrível para nenhum dos meus "Revolucionários" amigos. Se assim for, peço perdão.
Estamos em época de balanço, logo esta será a ultima mensagem do ano da minha parte, recentemente constatei que o facto de citar e nomear também é de certa maneira uma forma de comodismo. Nunca foram esses os objectivo que estabeleci. Mas quem é o pintor que cria as sua próprias telas, seus pincéis, sua tintas, e suas paletes de cor ? Um bem haja, para os criadores.
Até para o ano, ou não! Quem sabe? Boas Festas meus amigos e que o Novo Ano seja como desejamos.
Imperdoável x2. Fica um som dos Metallica da fase "Mainstream" deles, que espero tenha finado. Era para colocar a "Turn the page", mas fica para uma próxima oportunidade.
Esta semana que passa, foi para mim preenchida por bons "filmes"...inclusivamente este "The Phantom of the Opera". Não sou grande devoto de musicais. Isto apesar de adorar o "The sound of music", que já vi umas dezenas de vezes e nunca me cansa. Já tinha o "Fantasma" há já bastante tempo em casa para ver, em boa hora o fiz. Gostei, apesar de ser de um romantismo um pouco "lamechas", mas a historia é assim. Está muito boa esta versão. Até a mais distorcida alma consegue amar, um coração gelado abrigado nas trevas. A sua máscara esconde um amor que como um vento quente de sul lhe confortou a alma e lhe deu o sentido da vida.
Aqui fica o "Trailer" do Sr. uTube ao som do pesado, mas doce metal sinfónico dos Nightwish. Agora infelizmente já não contam com a bela Diva Tarja Tarunen (ainda tive o privilégio de os ver com este elenco em Vilar de Mouros, um concerto um pouco frio, aliás como aquela noite, fria e húmida). O som deles é muito influenciado por bandas sonoras épicas,e por falar em épicos, esta semana também "visualimentalizei" o "Beowulf". Uma produção digital de uma perfeição assombrosa, isto para quem sabe apreciar. Um verdadeiro "orgasmo" visual.
E sem esperar ainda acabei por ir ver o "Control", o filme sobre a vida e obra do malogrado Ian Curtis, vocalista da "Joy Division". É sem duvida um filme extremamente triste, não muito próprio para esta altura do ano. Reflecte a solidão interior em que nos podemos encontrar, e como se pode tornar numa prisão sem esperança. Fica a minha reflexão.
Máscaras (Quantas vemos diariamente? Ás vezes parece um baile! Mas de uma maneira ou de outra todos nós as colocamos.), solidão e as prisões que criamos para nós próprios.
É o reflexo de uma semana na qual fui ao cinema (já há algum tempo que não ia) e não gostaria de passar sem afirmar o estado decadente em que se encontra o cinema em geral. Comprar bilhetes onde se compra pipocas, bilhetes em papel térmico, ter que andar aos tombos e à luz do telemóvel à procura de um lugar, lugar este muitas vezes cheio de lixo. Para assistirmos a um filme sem descanso, a ouvir o vizinho a falar ao telemóvel, a ruminar as pipocas, a fazer comentários idiotas para a companhia.
Enfim! Onde param os tempos em que ir ao cinema era algo de verdadeiramente único e especial? Fica a questão!
Uma boa semana para vocês meus amigos, e vamos ver que "filmes" se seguirão neste festival.
Prisão em si
E numa prisão em si Não saindo do que é seu Foi esquecido Adormeceu
À procura do amanhã Andam homens inseguros Erguem escadas Partem muros
A nós os montes imundos Dêem-nos os vales profundos Sítios onde vê Impossível ir Ergam escadas Partam Muros
Progressivamente tenho vindo a travar conhecimento com a arte deste nobre trovador, apesar de suas trovas fazerem parte do meu dia a dia há já alguns anos, nem sempre temos a oportunidade de facto ouvir e digerir. A musica de Jorge Palma é sem duvida uma bofetada de luva branca aos impenitentes cultores da rotina e mediocridade neste nosso rectângulo à beira mar plantado. Um bem haja para os resistentes.
Aqui fica a letra de um velha trova.
Deixa-me Rir
"Deixa-me rir Essa história não é tua Falas da festa, do Sol e do prazer Mas nunca aceitaste o convite Tens medo de te dar E não é teu o que queres vender
Deixa-me rir Tu nunca lambeste uma lágrima Desconheces os cambiantes do seu sabor Nunca seguiste a sua pista Do regaço à nascente Não me venhas falar de amor
Pois é , pois é Há quem viva escondido a vida inteira Domingo sabe de cor O que vai dizer Segunda-Feira
Deixa-me rir Tu nunca auscultaste esse engenho De que que falas com tanto apreço Esse curioso alambique Onde são destilados Noite e dia o choro e o riso
Deixa-me rir Ou então deixa-me entrar em ti Ser o teu mestre só por um instante Iluminar o teu refúgio Aquecer-te essas mãos Rasgar-te a máscara sufocante
Pois é, pois é Há quem viva escondido a vida inteira Domingo sabe de cor O que vai dizer Segunda-Feira"
Uma alma sorri, um coração chora, como irá acabar esta historia? Rimas fáceis e pensamentos dilacerantes, estou bonito estou!
Um resto de fim de semana soberbo é o que vos desejo meus amigos.
Cá está o tributo aos "Homens da Luta". Fica uma grande frase que ouvi hoje:
«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.»
"Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta
Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta, Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter, Pergunto a mim próprio devagar Porque sequer atribuo eu Beleza às coisas.
Uma flor acaso tem beleza? Tem beleza acaso um fruto? Não: têm cor e forma E existência apenas. A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão. Não significa nada. Então porque digo eu das coisas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver, Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens Perante as coisas, Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!"
Alberto Caeiro
O poema, dedico à beleza oculta em pequenos gestos. Um bom resto de semana para os meus amigos revolucionários.
"Mares convulsos, ressacas estranhas Cruzam-te a alma de verde escuro As ondas que te empurram Aa vagas que te esmagam Contra tudo lutas Contra tudo falhas
Todas as tuas explosões Redundam em silêncio Nada me diz
Berras às bestas Que te sufocam Em braços viscosos Cheios de pavor Esse frio surdo O frio que te envolve Nasce na fonte Na fonte da dor
Remar remar Força a corrente Ao mar, ao mar Que mata a gente"
Alinhamentos astrais, fases lunares, ventos justos e marés favoráveis, de tudo depende o navegador perdido no oceano da vida, em busca de um porto salvo, um abrigo seguro, nada pode fazer apenas deixar-se levar... e sonhar.
Por vielas e becos almas se cruzam, em busca de uma ténue lembrança, de uma breve miragem da eterna felicidade.
Minha bela cidade, dona do meu coração.
"Esta cidade" por Xutos & Pontapés
Quer eu queira quer não queira Esta cidade Há-de ser uma fronteira E a verdade Cada vez menos Cada vez menos Verdadeira
Quer eu queira Quer não queira No meio desta liberdade Filhos da puta Sem razão E sem sentido No meio da rua Nua crua e bruta Eu luto sempre do outro lado da luta
A polícia já tem o meu nome Minha foto está no ficheiro Porque eu não me rendo porque eu não me vendo Nem por ideais Nem por dinheiro E como eu sou e quero ser sempre assim Um rio que corre sem princípio nem fim O poder podre dos homens normais Está a tentar dar cabo de mim Cabo de mim
Muito tempo antes da grande dupla de centrais Fernando Couto e Jorge Costa, existiram os mestres do "corte e bota abaixo". Senhores e Senhoras, "Statler and Waldorf" do " The Muppet Show". Programa que faz parte do meu imaginário infantil, é sempre bom recordar algo que nos fez sorrir, e ainda faz. O humor sarcástico no seu expoente máximo. Estes sempre foram para mim uma fonte de inspiração, fica a saudade destes "Marretas", tenho que me contentar com os que me aparecem pela frente no dia a dia.
:)
Nas letras de uma "Mão Morta" fica a minha saudação ás criaturas de natureza genuína. Presas e predadores todos fomos, somos ou seremos algum dia, e existem as demais, as que pautam pela sua natureza parasitária.
Malditas "Melgas e Mosquitos" que não me largam!
"É UM JOGO [Adolfo Luxúria Canibal / António Rafael]
é um jogo a que não podemos jogar um jogo de que somos os espectadores um jogo de desconhecidos jogadores um jogo a que nunca iremos ganhar olha a menina a dançar tão bela no seu saltitar canta a roleta a rodar mistérios da sorte e do azar olha a menina a dançar quem vai com ela ficar? canta a roleta a rodar mistérios da sorte e do azar é um jogo feito para nos comandar um jogo de que desconhecemos as regras xadrez de que se retiraram as negras um jogo feito para nunca acabar olha a menina a dançar tão bela no seu saltitar canta a roleta a rodar mistérios da sorte e do azar olha a menina a dançar quem vai com ela ficar? canta a roleta a rodar mistérios da sorte e do azar é a nossa a vida que está em jogo é a nossa a vida que outros jogam"
Na véspera de mais uma semana de "hard work & dedication" (thks PCZ :) ), é o sacrifico de umas horas de descanso e tempo de qualidade, mas há que aproveitar a oportunidade de tornar menos banal a retribuição mensal (lá estou eu com as rimas). Dada a eminente ausência de tempo, vou aproveitar e fazer o meu "Post" semanal.
Este fim de semana tive a percepção da importância da Protecção do grupo, realmente como animais sociais que somos, a força do colectivo torna o individuo mais capaz. No abrigo da protecção do grupo sentimos-nos mais seguros de ataques cobardes, mas como tudo também tem o reverso da medalha, confere aos que praticam esses mesmos actos de cobardia, protecção para realizar seus intentos. Infelizes aqueles que em momentos de perigo se encontrem sozinhos, sem a protecção dos amigos, da família. Por muito nobre que seja o acto de "Stand Alone", a realidade é que para sobrevivermos nesta selva urbana, não podemos estar sozinhos, pode ser fatal. Dificilmente o faremos sozinhos, sobreviver.
Escrevo ao som da musica por vezes enfadonha mas sem duvida tecnicamente perfeita dos "Dream Theater", enfadonho certamente não é o filme do qual tirei o vídeo de cima "A Noiva Cadáver" do mestre Tim Burton. Conta a historia de uma "desilusão de óptica" que se tornou uma boa ilusão, apesar do contrario ser sem duvida o mais comum.
Não me podia esquecer de um aniversario esta semana, uma triste data, a do assassinato de mais um mártir desta eterna revolução que é a luta pelos direitos dos menos afortunados. Um jovem médico argentino, filho de uma família abastada, abdicou de uma vida confortável para levar uma mensagem de luta e esperança ao povos desfavorecidos da América Latina. "Hasta Siempre, Comandante Che Guevara".
"É necessário estar sempre embriagado. Tudo está aí: é a única questão. Para não se sentir o horrível fardo do Tempo que quebranta os vossos ombros e vos curva em direcção à terra, deveis vos embriagar sem trégua. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiserdes. Mas embriagai-vos."
Charles Baudelaire, em 'Pequenos Poemas em Prosa'
Como não há vinho, fico-me pela poesia. :)
"Só" por Edgar Allan Poe.
"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar de fonte igual à deles; e era outra a origem da tristeza, e era outro o canto, que acordava o coração para a alegria. Tudo o que amei, amei sozinho. Assim, na minha infância, na alva da tormentosa vida, ergueu-se, no bem, no mal, de cada abismo, a encadear-me, o meu mistério. Veio dos rios, veio da fonte, da rubra escarpa da montanha, do sol, que todo me envolvia em outonais clarões dourados; e dos relâmpagos vermelhos que o céu inteiro incendiavam; e do trovão, da tempestade, daquela nuvem que se alteava, só, no amplo azul do céu puríssimo, como um demônio, ante meus olhos."
No humor do brilhante Ricardo Araújo Pereira, vemos o exemplo do típico atípico síndrome da hipocrisia reinante no nosso pequeno Portugal. Não interessa, se com a tua incompetência ou desonestidade matas, roubas ou simplesmente prejudicas de forma gritante o teu semelhante, desde que peças desculpas no novo paraíso do arrependimento, os meios de comunicação social. Um "Perdoa-me" em directo para a televisão, não falha.
Aprender com os erros e assumir as responsabilidades, é coisa do passado. Mas talvez não seja um problema exclusivo do nosso país, basta ver as guerras criadas por meros interesses comerciais e o sacrifício de inocentes como um banal produto de "marketing". Arriscaria a dizer que atravessamos uma nova era das trevas, é a total ausência de valores.
Verticalidade, honestidade, frontalidade e responsabilidade são qualidades em extinção, num ser humano em franca decadência existencial. Sem duvida é sempre melhor sonhar viver num "Conto de Fadas (ou Fod*s para algumas bizarras criaturas)".
Aqui fica a letra da minha musica preferida de uns pedregulhos que ainda rolam por essas encostas fora.
"Paint it black" by "The Rolling Stones".
"I see a red door and I want it painted black No colors anymore I want them to turn black I see the girls walk by dressed in their summer clothes I have to turn my head until my darkness goes I see a line of cars and theyre all painted black With flowers and my love both never to come back I see people turn their heads and quickly look away Like a new born baby it just happens evry day I look inside myself and see my heart is black I see my red door and it has been painted black Maybe then Ill fade away and not have to face the facts Its not easy facin up when your whole world is black
No more will my green sea go turn a deeper blue I could not foresee this thing happening to you If I look hard enough into the settin sun My love will laugh with me before the mornin comes
I see a red door and I want it painted black No colors anymore I want them to turn black I see the girls walk by dressed in their summer clothes I have to turn my head until my darkness goes Hmm, hmm, hmm,... I wanna see it painted, painted black Black as night, black as coal I wanna see the sun blotted out from the sky I wanna see it painted, painted, painted, painted black Yeah!"
Não podia deixar de prestar a minha homenagem ao homem que me inspirou a criar este blog, Tom Morello "The Nightwatchman". Confesso que, hoje foi verdadeiramente complicado encontrar inspiração e disponibilidade mental para redigir este "post". A merda da rotina, dos ciclos de atrofia criativa, o ritmo desta estúpida sociedade que nos suga a pouca energia positiva que temos para fazer algo construtivo. Somos peças facilmente substituíveis de uma impiedosa engrenagem que não pára, e se cedemos somos o elo mais fraco, sofrendo as consequências de estarmos aquém do expectável (palavra da moda). Como diria um poeta canibal de Braga, "Penso que Penso" para minha infelicidade, "Ignorance is bliss".
Parabéns aos meus amigos, pela noite bem passada, na sexta feira no "Flash Caffe Bar", certamente se repetirá. Noite negra plena de sensualidade e pessoas positivamente diferentes.
É sempre positivo ouvir bons conselhos, ultimamente tenho ouvido muitos e bons, aqui ficam alguns de um ser humano iluminado pela paz. Para ler, pensar e se possível aprender.
"Seria muito mais produtivo se as pessoas procurassem compreender seus pretensos inimigos. Aprender a perdoar é muito mais proveitoso do que simplesmente tomar de uma pedra e arremessá-la contra o objecto de sua ira. Quanto maior a provocação, maior a vantagem do perdão. É quando padecemos os piores infortúnios que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem a si e aos outros.
A agressão é uma tendência que faz parte do nosso íntimo. Por isso, temos de lutar contra nós mesmos. Homens criados em ambientes rigorosamente não-violentos acabaram se transformando nos mais horríveis carniceiros. O que prova que a semente da mais insana agressividade mora nas profundezas de cada um de nós. Mas nossa verdadeira natureza é de modo geral pacífica. Todos nós conhecemos as agitações da alma humana, que está sujeita a imprevistos assustadores. Mas essa não é a sua força dominante. É possível e é necessário dominar a agressividade.
O que mais nos incomoda é ver nossos sonhos frustrados. Mas permanecer no desânimo não ajuda em nada para a concretização desses sonhos. Se ficamos assim, nem vamos em busca dos nossos sonhos, nem recuperamos o bom humor! Este estado de confusão, propício ao crescimento da ira, é muito perigoso. Temos de nos esforçar e não permitir que a nossa serenidade seja perturbada. Quer estejamos vivendo um grande sofrimento, ou já o tenhamos experimentado, não há razão para alimentarmos o sentimento de infelicidade.
A felicidade é um estado de espírito. Se a sua mente ainda estiver num estado de confusão e agitação, os bens materiais não lhe vão proporcionar felicidade. Felicidade significa paz de espírito."
"Tradução de Machado de Assis do poema "The Raven" de Edgar Alan Poe.
Em certo dia, à hora, à hora Da meia-noite que apavora, Eu, caindo de sono e exausto de fadiga, Ao pé de muita lauda antiga, De uma velha doutrina agora morta, Ia pensando, quando ouvi à porta Do meu quarto um soar devagarinho E disse estas palavras tais: "É alguém que me bate à porta de mansinho; Há de ser isso e nada mais."
Ah! bem me lembro! bem me lembro! Era no glacial dezembro; Cada brasa do lar sobre o colchão refletia A sua última agonia. Eu ansioso pelo Sol, buscava Sacar daqueles livros que estudava Repouso (em vão!) à dor esmagadora Destas saudades imortais Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora, E que ninguém chamará mais.
E o rumor triste, vago, brando Das cortinas ia acordando Dentro em meu coração um rumor não sabido, Nunca por ele padecido. Enfim, por aplacá-lo aqui, no peito, Levantei-me de pronto, e "Com efeito, (Disse) é visita amiga e retardada Que bate a estas horas tais. É visita que pede à minha porta entrada: Há de ser isso e nada mais."
Minh'alma então sentiu-se forte; Não mais vacilo, e desta sorte Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora, Me desculpeis tanta demora. Mas como eu, precisando de descanso Já cochilava, e tão de manso e manso, Batestes, não fui logo, prestemente, Certificar-me que aí estais." Disse; a porta escancaro, acho a noite somente, somente a noite, e nada mais.
Com longo olhar escruto a sombra Que me amedronta, que me assombra. E sonho o que nenhum mortal há já sonhado, Mas o silêncio amplo e calado, Calado fica; a quietação quieta; Só tu, palavra única e dileta, Lenora, tu, como um suspiro escasso, Da minha triste boca sais; E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço; Foi isso apenas, nada mais.
Entro co'a alma incendiada. Logo depois outra pancada Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela: "Seguramente, há na janela Alguma coisa que sussurra. Abramos, Eia, fora o temor, eia, vejamos A explicação do caso misterioso Dessas duas pancadas tais, Devolvamos a paz ao coração medroso, Obra do vento, e nada mais."
Abro a janela, e de repente, Vejo tumultuosamente Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias. Não despendeu em cortesias Um minuto, um instante. Tinha o aspecto de um lord ou de uma lady. E pronto e reto, Movendo no ar as suas negras alas, Acima voa dos portais, Trepa, no alto da porta em um busto de Palas: Trepado fica, e nada mais.
Diante da ave feia e escura, Naquela rígida postura, Com o gosto severo, - o triste pensamento Sorriu-me ali por um momento, E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas Vens, embora a cabeça nua tragas, Sem topete, não és ave medrosa, Dize os teus nomes senhoriais; Como te chamas tu na grande noite umbrosa?" E o corvo disse: "Nunca mais."
Vendo que o pássaro entendia A pergunta que eu lhe fazia, Fico atônito, embora a resposta que dera Dificilmente lha entendera. Na verdade, jamais homem há visto Coisa na terra semelhante a isto: Uma ave negra, friamente posta Num busto, acima dos portais, Ouvir uma pergunta a dizer em resposta Que este é seu nome: "Nunca mais."
No entanto, o corvo solitário Não teve outro vocabulário. Como se essa palavra escassa que ali disse Toda sua alma resumisse, Nenhuma outra proferiu, nenhuma. Não chegou a mexer uma só pluma, Até que eu murmurei: "Perdi outrora "Tantos amigos tão leais! "Perderei também este em regressando a aurora." E o corvo disse: "Nunca mais."
Estremeço. A resposta ouvida É tão exata! é tão cabida! "Certamente, digo eu, essa é toda a ciência Que ele trouxe da convivência De algum mestre infeliz e acabrunhado Que o implacável destino há castigado Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga, Que dos seus cantos usuais Só lhe ficou, na amarga e última cantiga, Esse estribilho: "Nunca mais."
Segunda vez nesse momento Sorriu-me o triste pensamento; Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo; E, mergulhando no veludo Da poltrona que eu mesmo ali trouxera, Achar procuro a lúgubre quimera, A alma, o sentido, o pávido segredo Daquelas sílabas fatais, Entender o que quis dizer a ave do medo Grasnando a frase: "Nunca mais."
Assim posto, devaneando, Meditando, conjeturando, Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava, Sentia o olhar que me abrasava. Conjeturando fui, tranqüilo, a gosto, Com a cabeça no macio encosto Onde os raios da lâmpada caíam, Onde as tranças angelicais De outra cabeça outrora ali se desparziam E agora não se esparzem mais.
Supus então que o ar, mais denso, Todo se enchia de um incenso, Obra de serafins que, pelo chão roçando Do quarto, estavam meneando Um ligeiro turíbulo invisível: E eu exclamei então: "Um Deus sensível Manda repouso à dor que te devora Destas saudades imortais. Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora." E o corvo disse: "Nunca mais."
"Profeta, ou o que quer que sejas! Ave ou demônio que negrejas! Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno Onde reside o mal eterno, Ou simplesmente náufrago escapado Venhas do temporal que te há lançado Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo Tem os seus lares triunfais, Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?" E o corvo disse: "Nunca mais."
"Profeta, ou o que quer que sejas! Ave ou demônio que negrejas! Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende! Por esse céu que além se estende, Pelo Deus que ambos adoramos, fala, Dize a esta alma se é dado inda escutá-la No Éden celeste a virgem que ela chora Nestes retiros sepulcrais, "Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!" E o corvo disse: "Nunca mais."
"Ave ou demônio que negrejas! Profeta, ou o que quer que sejas! Cessa, ai, cessa! (clamei, levantando-me) cessa! Regressando ao temporal, regressa À tua noite, deixa-me comigo... Vai-te, não fique no meu casto abrigo Pluma que lembre essa mentira tua. Tira-me ao peito essas fatais Garras que abrindo vão a minha dor já crua." E o corvo disse: "Nunca mais."
E o corvo aí fica; ei-lo trepado No branco mármore lavrado Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho. Parece, ao ver-lhe o duro cenho, Um demônio sonhando. A luz caída Do lampião sobre a ave aborrecida No chão espraia a triste sombra; e fora Daquelas linhas funerais Que flutuam no chão, a minha alma que chora Não sai mais, nunca, nunca mais!"
Aqui está a minha singela homenagem a um filme que marcou a minha adolescência, "The Crow" filme amaldiçoado pela morte nas filmagens do protagonista Brandon Lee e não só. O vídeo é da banda sonora do filme, a musica "Dead Souls" é um original do Joy Division (só descobri hoje, uma das bandas preferidas de um grande amigo) na interpretação dos Nine Inch Nails, muito bem conseguida diga-se de passagem, isto para quem não conhece o original.
Esta semana aproveitei as férias e fui ver o "Death Proof" do Tarantino e sinceramente achei banal. O homem está a ficar decadente, além dos habituais efeitos arcaicos de imagem e de "Gore", o filme resume-se à exploração da imagem das interpretes femininas. Basicamente apresenta-nos um conjunto de "gajas" que consome excessivamente álcool, drogas e "gajos", que acabam por ser vitimas de um pseudo "serial-killer" ( Kurt Russel, de actor fetiche de John Carpenter, a capacho do Tarantino). Não vou estragar o prazer nem a desilusão de ninguém, mas para mim não passa de "Fast-Food" cinematográfico direccionado para um público feminino ( clube de fãs das "Donas de Casa Desesperadas" e afins). Se acho um tradicional filme do James Bond ridículo pelo seu conteúdo, este não me parece diferente, apenas muda a roupagem.
Fiquem bem meus amigos, saudações revolucionárias.
Aqui fica a letra traduzida na integra de um tema do primeiro álbum de Moonspell. Encontrei a tradução num site brasileiro,na versão original o refrão é em português. Este apesar de alguma conotação Salazarista (fascismo e racismo são conceitos não presentes no panorama do Heavy-metal, isto apesar do que maioria da opinião publica idealiza, defendem sim a tolerância, rejeitando o preconceito e hipocrisia), deve ser interpretada como um exemplo de um nacionalismo saudável. É sem duvida uma imagem do que representam os Moonspell no panorama musical português. Só recentemente em Portugal tiveram algum reconhecimento, isto apesar de serem há muito tempo a banda portuguesa com mais impacto no estrangeiro.É bom lembrar que há mais de 10 anos o "Irreligious" era álbum de platina na Alemanha e Polónia. Foram a primeira banda portuguesa a passar um Video na MTV. Foram forçados a um exílio cultural no inicio de carreira , mudaram-se para a Alemanha, expressando-se na língua de William Shakespeare, nunca esqueceram a cultura lusa, invocando Fernando Pessoa, Mário Cesariny e também José Luís Peixoto. Hoje em dia tocam em todos os cantos do Mundo.
"Alma Mater" por Moonspell
"A Língua Materna me diz Do modo mais forte que já vi Sei que ela vê em mim Seu motivo de orgulho, sua raça mais pura
Ela me diz em matizes Que eu mal posso entender Eu apenas sei que são nossos E a eles, orgulhoso, me curvarei
Pois sou seu unico filho E você, meu mistério querido De um trono antigo, desafio o mundo A ajoelhar-se diante do Poder contido.
Pois sou seu unico filho E você, meu mistério querido Mundo, não vês? Apenas eu creio nisso?
Virando costas ao mundo Orgulhosamente sós Glória antiga, volta a nós!
ALMA MATER!
Ondas rebentando anunciam minha noiva É o único modo como o Mar pode cantar Lendas do Orgulho Lusitano Ele canta as palavras que eu não posso espalhar
Na Montanha da Lua seis lobos uivam Sua glória perdida retomaremos ou morreremos
Pois sou seu unico filho E ela, meu mistério querido Deus Pagãos conspiram Pela espada da Tirania
A Língua Materna disse a ti Do modo mais forte que já viram Mundo, não vês? Não sou só eu que creio nisso.
ALMA MATER!
Virando costas ao Mundo Orgulhosamente Gloria Antiga, volta a nos!
ALMA MATER! A Língua Materna me diz Do modo mais forte que já vi Sei que ela vê em mim Seu motivo de orgulho, sua raça mais pura
Ela me diz em matizes Que eu mal posso entender Eu apenas sei que são nossos E a eles, orgulhoso, me curvarei
Pois sou seu unico filho E ela, meu mistério querido De um trono antigo, desafio o mundo A ajoelhar-se diante do Poder contido.
Pois sou seu unico filho E ela, minha tragédia querida Mundo, não vês? Não sou só eu que creio nisso.
Virando costas ao Mundo Orgulhosamente
ALMA MATER!"
Este "post" vem no seguimento da minha presença no Festival "Marés Negras" que se realizou no passado sábado no Coliseu do Porto, decidi no calor do momento se havia de marcar presença, e em boa hora o fiz. Era importante contribuir para um evento que quebrou o total vazio que se tem feito sentir, no que diz respeito a concertos deste género musical no norte nos últimos tempos. É culpa em parte do encerramento do saudoso Hard-Club, e da não realização dos Festivais de Vilar de Mouros e Ilha do Ermal. Pena foi o preço excessivo que as quase 2000 pessoas que se deslocaram ao coliseu tiveram que desembolsar, de acordo com a organização do evento deveu-se à indisponibilidade da C.M. Porto e V.N. de Gaia em disponibilizar um espaço ao ar-livre. Será o preconceito? Só assisti ás actuações de Kreator e Moonspell, bandas que já tinha visto a actuarem num mesmo evento no Hard-Club. Como no caso de Moonspell, já os vi a actuar mais de uma dezena de vezes, desta vez decidi inovar e vi o concerto no conforto de uma cadeira na tribuna, foi inédito para mim.
"Apocalipse de Jesus Cristo, que lhe foi confiada por Deus para manifestar aos seus servos o que deve acontecer em breve. Ele, por sua vez, por intermédio de seu anjo, comunicou ao seu servo João, o qual atesta, como palavra de Deus, o testemunho de Jesus Cristo e tudo o que viu. Feliz o leitor e os ouvintes se observarem as coisas nela escritas, porque o tempo está próximo.
Os três primeiros versículos do livro do Apocalipse."
Pela estrada fora vinha um homem Encoberto pelas sombras da noite Alguém lhe perguntou o nome Sou uma miragem, Dizem que semeio o caos e a destruição Como o vento semeia as papoilas O meu nome é... Liberdade Vinha pela estrada fora a Liberdade Encoberta pela noite das sombras Sabes quem eu sou? perguntou ao candeeiro És uma miragem E pertences ao livro dos sublinhados provocadores Que são os poetas Almas sonhadorasAnarquista Duval: Prendo-te em nome da lei? Eu suprimo-te em nome da Liberdade! Sublinhados provocadores, iam pela estrada fora Carregando o livro das sombras Da noite só restava o candeeiro Encoberto
Após uns tempos anónimo, cá está a minha tentativa de criar um Blog ou algo parecido. Onde eu possa evacuar pensamentos e relatar aqueles momentos únicos para mais tarde recordar ou esquecer. Um bem haja para todos.