segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Ponto de Ebulição




A musica melancólica, a harmonia talvez um pouco deprimente dos Anathema. E a imagem de alguém com bastante tempo em mãos. Esse bem precioso, os grãos de areia que incessantemente se escoam por entre nossos dedos. A musica, o alimento da alma, esta que nos seus mais diversos estados e pontos de transição (talvez de ebulição?) traduz cenários de sentimentos e emoções por vezes antagónicos, por vezes sinónimos.
Que nunca perca a capacidade de saber escutar, para poder criticar. Que nunca seja um escravo de preconceitos, ideias pré-concebidas e pressupostos pseudo intelectuais.





















"VIRAR DE PÁGINA

A passos apressados,
Ou languidamente
Devagar…
Aproxima-se…

Não sei se será,
O final,
Ou o principio,
De tudo.

Mas a passos apressados,
Caminho para o final.

Ele aproxima-se,
Silenciosamente,
Mas faz-se anunciar.

E eu,
Todos nós,
O abraçamos,
Como amantes
Em actos de ternura.

Nada se sabe
Dele, se melhor
Ou pior…
Mas tenho esperança
Que dele venha
Algo de mudança.

Porque de tristeza,
Ele nos brindou
Porque sorrisos,
Ele nos deu
e nos roubou.

Que venha!

Traga alegria,
E risos, rasgados
De melhores dias.

Porque este ano, moribundo,
Que se fina,
Eu tenho recordação
De muitas tristezas
E de poucas alegrias."

por Augusto P.Gil

Um abandono anunciado, uma aposta perdida, um estigma na face, uma jornada de temor, um aniversário febril, inúmeras sintaxes e acentuações infecciosas, uma aproximação, o fim de a letargia de um sorriso amordaçado, um mal entendido, uma brisa quente de verão, um órgão vital enregelado, o irracional racional, as distracções que ofuscaram o essencial, uma mancha na alma, uma amizade ameaçada, um "Desculpa-me" nunca ouvido, princípios violados, outros reforçados. Tudo isto sem pausas, o reflexo de um ano que passa. Um ano mau? Não sei. Não sei o que virá, mas certamente ficarei imune a complicações de eventos similares, perdoem-me o "cliché", mas o que não mata seguramente nos torna mais fortes. Mas ficam as marcas, as tatuagens da vida que sem duvida nos definem como Homens, as cicatrizes desse enorme privilégio que é existir.

O facto de sofrermos não é justificação para fazer sofrer alguém, espero que este meu ultimo "Post" não seja sofrível para nenhum dos meus "Revolucionários" amigos. Se assim for, peço perdão.

Estamos em época de balanço, logo esta será a ultima mensagem do ano da minha parte, recentemente constatei que o facto de citar e nomear também é de certa maneira uma forma de comodismo. Nunca foram esses os objectivo que estabeleci. Mas quem é o pintor que cria as sua próprias telas, seus pincéis, sua tintas, e suas paletes de cor ? Um bem haja, para os criadores.

Até para o ano, ou não! Quem sabe?
Boas Festas meus amigos e que o Novo Ano seja como desejamos.

9 comentários:

Anónimo disse...

Porque todos os dias existimos, sentimos, agimos e interagimos, todos os dias são "época de balanço".

Se submetemos as nossas acções, os HOMENS que somos ao ano fiscal, ao ano do comerciante, do contribuinte, provavelmente demoraremos a eternidade a chegar a parte nenhuma!


Talvez depois, ainda nos ocorra que temos um qualquer "orgão vital congelado"...

Pela lógica, já não nos lembraremos da sua existência!

One.man.revolution disse...

Concordo contigo. Mas no final deste período definido a que chamamos ano é sempre mais fácil, ao olharmos para o caminho percorrido, fazer um sumário. Como não uso diários, torna-se complicado como deves compreender.

Digamos que é um "Balanço Anual", um renovar de um ciclo. :)

Escrevi "Homens" com H grande, logo no sentido universal (homens e mulheres). Não era para parecer uma conotação machista.

As acções e as consequências das mesmas são revistas no dia a dia , mas seguramente no fim de um ano fazes um "sumatório" de todos esses eventos e tiras conclusões.

É o normal espírito de renovação do ano novo.

"A paixão quer que tudo seja eterno, mas a natureza impõe que tudo acabe."
Denis Diderot

Logo o essencial é a paixão pela vida. A eternidade é muito tempo.

Digamos que o essencial é... "Lust for life".

Para os congelados temos sempre os micro-ondas.

Tenho boa memória, e ainda tenho presente os efeitos desse teu maravilhoso sorriso. Não tens nada de esquisito em ti. :)

Obrigado pelo contributo e boa sorte para o novo desafio que enfrentas, ser TE é duro.

"Been there!"

Anónimo disse...
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One.man.revolution disse...

"Eu aprendi que para se crescer como pessoa é preciso me cercar de gente mais inteligente do que eu."
(William Shakespeare)

Algumas opiniões e confusões (e comentários "esquisitos") valem uma viagem para o destino adequado, neste caso o "caixotinho".

Do tentar até ao ser, a distância ainda é grande.

Abençoados aqueles, que me deram lições porque fazem verdadeiramente parte da minha existência.

"A amizade e a lealdade residem numa identidade de almas raramente encontrada."
(Epicuro)

Ofereço amizade, exijo respeito.
Já alguém disse "Mais vale sozinho, que mal acompanhado!"

Recomendação: Ler atentamente e comentar com consciência.

"Orgulho é o espelho dos homens, o espelho é o orgulho das mulheres"

Basta um "maravilhoso" elogio para termos um reflexo.

:)

isabel disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
One.man.revolution disse...

Esclarecimento para pessoas com valores confusos.

Concordância: (Pode ser parcial)
s.f. Conformidade, acordo: concordância de testemunhos. / Geologia Disposição paralela de camadas sedimentares. // Fís. Concordância de fases, estado de diversas vibrações sinusoidais da mesma natureza e do mesmo período, cuja diferença de fases é nula.

Respeito:
s.m. Atco ou acção de respeitar. / Sentimento que leva a tratar alguém ou alguma coisa com grande atenção, profunda deferência; consideração, reverência: respeito filial. / Obediência, acatamento, submissão: respeito às leis. / — S.m.pl. Homenagens, cumprimentos: apresentar seus respeitos. // Dizer respeito a, pertencer ou referir-se a, ter relação com: tudo isto diz respeito a um fato de suma importância. // — loc. prep. A respeito de ou com respeito a ou respeito a, relativamente a, no tocante a, com referência a.

Amizade:
s.f. Afeição, estima, dedicação recíproca entre pessoas do mesmo sexo ou de sexo diferente: laços de amizade. / Amor. / Acordo: tratado de amizade. / Benevolência, favor, serviço: provas de amizade. / Simpatia de certos animais pelo homem: a amizade do cão pelo dono.

Hipocrisia:
s.f. Vício que consiste em aparentar uma virtude, um sentimento que não se tem. / Fingimento, falsidade.

Humildade:
s.f. Ausência completa de orgulho. / Rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito: praticar a humildade. / Modéstia, pobreza: apresentou-se na humildade de seu trajo. // Com toda a humildade, tão humildemente quanto possível.

Orgulho:
s.m. Elevado conceito que alguém faz de si próprio. / Amor-próprio exagerado. / Brio. / Altivez, soberba. / Ufania.

Consciência:
s.f. Conhecimento, noção do que se passa em nós: ter consciência de seus deveres. / Percepção mais ou menos clara dos fenomenos que nos informam a respeito da nossa própria existência: perder a consciência. / Sentimento do dever, moralidade: um homem sem consciência. / Mecânica Placa de apoio no peito, utilizada por operários que trabalham com broca em madeira ou metal. // Liberdade de consciência, direito de gozar de liberdade completa em matéria religiosa, moral, política etc. / — Loc. adv. Em consciência, segundo as regras de uma estrita probidade; francamente.

Lealdade:
s.f. Franqueza; sinceridade. / Rectidão; probidade.

Insulto:
s.m. Ultraje, ofensa, afronta com actos ou palavras. / Medicina Ataque repentino: insulto cardíaco.

Homem:
s.m. Indivíduo dotado de inteligência e linguagem articulada, bípede, bímano, classificado como mamífero da família dos primatas, com a característica da posição erecta e da considerável dimensão e peso do crânio. / Espécie humana, humanidade: a evolução social do homem. / A criatura humana sob o ponto de vista moral: todo homem é passível de aperfeiçoamento. / Pessoa do sexo masculino, macho:

Mulher:
s.f. Ser humano do sexo feminino. / Aquela que atingiu a puberdade. / Esposa. / Amásia, concubina. // Mulher à-toa, mulher da vida, mulher pública, meretriz.

Perdão:
s.m. Remição de uma falta ou ofensa. / Fórmula de polidez empregada quando se perturba alguém: (peço) perdão!

"Não pode haver amizade entre homem e mulher. Pode haver paixão, hostilidade, adoração, amor, mas não amizade"
(Oscar Wilde)

Fica um pensamento de um "homosexual", espero que o "Sindicato" não venha agora dizer que sou homofóbico.

Um bem haja, meus amigos.

Anónimo disse...

Boas,

Sem querer estar aqui com demagogias baratas, queria apenas dizer algo que é da minha autoria, e que creio ser representativo da minha maneira de pensar sobre este assunto:

"Nasci, Senti, vivi,
Resultado...cresçi,
Arrependimento é algo que desconheço,
nestes momentos da vida que perdi.
Com tudo aprendo, Com tudo reconheço,
Reconheço a existência do meu ser,
Definir o certo e o errado,
Apenas o tempo irá dizer."

By Blood Revolution

Com isto apenas quero dizer que de nada me arrependo, nada é trivial, tudo tem o seu motivo de acontecer ou existir, podemos não compreender agora, ou até não termos tempo suficiente de vida para compreender tais acontecimentos, mas existe um motivo. Já passei por alguns momentos estupidos na minha vida, mas mesmo desses não me arrependo de nada, tudo (certo ou errado) tem os seus ensinamentos que nos tornam mais fortes! Não acredito em destinos traçados, não acredito em acontecimentos de "cliché" ou pré-Definidos. Os balanços nunca os farei, o que faço é tirar as minhas ilações dos actos que cometo no dia a dia, mas faço-o no momento e retiro os meus ensinamentos.

Acabo esta minha prestação com duas frases, 1 da minha autoria também, mais um dos meus pensamentos que todos os dias tenho. Outra é uma das maiores verdades dos ensinamentos da cultura Japonesa:

"A vida é uma pagina em branco, nela iremos escrever a história da nossa vida, para que possamos olhar para trás e dizer...VALEU APENA!"

By Blood Revolution

"O teu passado é o teu conhecimento, o presente é o momento, o Futuro é tudo que tens para aprender!"

Espero que este meu contributo tenho a sua relevância.

E claro como não poderia deixar de ser:

Vivo la revolución!!! Mas à Próxima que a ultima não deu em nada!!!

One.man.revolution disse...

"Em tempo de balanço" por Manuel Teixeira artigo recolhido do JN

"Fim de ano é sinónimo de tempo de balanço. Conceito que está intimamente ligado a duas linhas de força o registo psicológico de quem o faz; e os objectivos que se pretendem atingir com as avaliações. É por isso que há os balanços dos eternos descontentes, dos genético-deprimidos, dos crónicos pessimistas, e também dos outros, como os patetas alegres, os optimistas por opção, os realistas conscientes, etc.."

Eu incluo-me nos "realistas conscientes". Ao tirar ilações no fim de um dia, de certa maneira estás a fazer um "Balanço". Quando exprimi esta palavra foi quase em sentido figurado. Parece-me que fui mal interpretado. Podes tirar ilações ao fim de um dia, uma semana, um mês ou um ano. Tendo em cada um dos casos uma perspectiva diferente dos eventos, são contextos diferentes.

No fim do ano tens "The bigger picture". :)

Que adianta então escrever a página e olhar para trás, se não for para a reler? São palavras tuas. Ainda que neste caso estejamos a falar de um paragrafo.

Tudo se resume a perspectivas e as nossas são diferentes, ainda que estejamos a falar da mesma coisa, penso eu.

Os Nossos Erros e o Nosso Destino

"Apercebo-me dos meus erros, mas não os corrijo. Isso só confirma que podemos ver o nosso destino, mas somos incapazes de o mudar. Apercebermo-nos dos erros é reconhecer o destino, e a nossa incapacidade para os corrigirmos é a força do destino. Apercebermo-nos dos erros é um castigo pesado. Seria muito mais fácil considerarmo-nos bons e culparmos os outros todos, encontrando consolação na ilusão da vitória sobre o destino. Mas mesmo essa felicidade não me é dada."

Alexander Puschkine, in 'Diário Secreto'

Achei relevante esta citação, porque concordo plenamente com ela.

Temos a obrigação de tentarmos evoluir, sermos melhores seres humanos, e isso passa por aprender com os nossos erros (não é arrependimento) e tirar conclusões (ilações, balanços sumários, somatorios ou o que for).

Os teu contributos "Blood" têm sido sempre de extremo bom gosto, plenos de sabedoria e dotados de enorme relevância. Obrigado pelo teu contributo.

One.man.revolution disse...

Uma poesia para acabar com os "balancés".

"No Turbilhão

A Jaime Batalha Reis

No meu sonho desfilam as visões,
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos,
arrebatado em vastos turbilhões...

Num espiral, de estranhas contorções,
E donde saem gritos e lamentos,
Vejo-os passar, em grupos nevoentos,
Distingo-lhes, a espaços, as feições...

-Fantasmas de mim mesmo e da minha alma,
Que me fitais com formidável calma,
Levados na onda turva do escarcéu,

Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes?
Quem sois, visões misérrimas e atrozes?
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!..."

(Antero de Quental)