
Encontrei em mim um anarquista do vale tudo, sem querer abri o livro das revelações. Acabei por partir os cães de loiça, que impavidamente me preservavam o orgulho e preconceito. Tal como as aves raras, mergulhadas numa negra sensualidade me atormentaram até ao fim. Depois de tal incorrigível hipocrisia, vi-me embriagado em pensamentos, lamento esta minha merda de anemia das grandezas. Recorri aos cortes de carrinho, lembrei o anexo e a cidade em busca dos infieis presuntos. Talvez fosse inevitavel uma perda de alinhamento astral, e a brincar a brincar acabei por dar uma bofetada na mediocridade. Questionei então porque estaria entre o bem e o mal na opera da vida, duas cervejas, três cervejas e a questão mantinha-se. Porque ainda estaria tão perto do ponto de ebulição? Vi-me num estado de desgraça. Deparei-me com a ponta do iceberg, sonhei a preto e branco, mas mesmo assim a bizarra locomotiva não pára. Iludi-me por amores nunca dantes navegados, com que ficaria? O bom, o mau ou o menos mau? Lamento este estado de eterno espectador, por entre musas, museus e meninas, pensei. Onde pára a minha cabeça, e vi-me num estranho e fabuloso mundo das amélias. Como seria fácil me encontrar à beira do precipício.
Assim se encerra esta jornada apoteótica pelos confins das mais distorcidas consciências.
Fica a derradeira citação:
"A vida...
Branco ou tinto, é o mesmo: é para vomitar." (Álvaro de Campos)
Um profundo abraço aos que em puro acto de boa fé me honraram com seus comentários e partilharam estes meus pensamentos.
A revolução acabou, o homem permanece.




