
Domingo passado estava a trabalhar, e não pude deixar de reparar no seguinte texto do "Pessoa" afixado na parede do escritório. Apesar de ser sem duvida um conjunto de pensamentos perfeitamente válidos e moralizadores (até tive que conter a minha vontade de trabalhar, lol). Comparar a nossa vida com uma empresa, parece-me um pouco corporativista e feito para agradar a poderes instalados. Mas gostei, daí o ter colocado neste "post".
"A Felicidade Exige Valentia!!!
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... ".
(Fernando Pessoa)
Não se esqueçam das pedras no sapato, são uma pequena ajuda também.
Já que o titulo é "Bizarre Locomotive", lembrei-me desta banda Tuga já com alguns anos de existência, e que se manteve sempre fiel aos seus princípios . Sua arte sempre se integrou num contexto alternativo, acho que a primeira e talvez única que os vi ao vivo foi no festival de Arcos de Valdevez.
Já que estou numa de comboios, fica a letra de uma Locomotiva desaparecida, mas que marcou a minha adolescência. Foram uma referencia do "Hard/Heavy" Rock no fim do anos 80, principio dos 90. Grande década para a musica, os 90 foram tão férteis de sonoridades inovadoras. Pena não se poder dizer o mesmo da presente década.
Locomotive Lyrics
Para finalizar o ultimo "Post" do mês, queria expressar um desabafo. Hoje desloquei-me a uma grande superfície comercial (é francesa, e monopoliza o mercado mas não necessita da minha ajuda na publicidade, logo adivinhem). O objectivo era comprar um livro para oferecer e fiquei pasmado com a loucura que é a procura do livro da moda.
E tive uma visão...de um jogo que jogava quando era "puto". Lembrei-me dos "Lemmings". Aquelas criaturas giras mas lamentavelmente desprovidas de inteligência e vontade própria, que tinham uma tendência compulsiva para se suicidarem em massa. Estavam á beira do precipício e davam o passo em frente (como diria um filosofo do povo).
É chocante a quantidade de pessoas que acreditam existir algum "Segredo" absoluto para a felicidade. É tipo receita (acho que os nossos amigos do outro lado do atlântico, estão a pensar criar um conceito igual para o sucesso profissional, mas em formato de pastilha elástica, lol). É a total ausência de valores que se reflecte numa perda de rumo e objectivos de vida. Parece que a crença no divino já não responde ás necessidades supérfulas do quotidiano destas criaturas.
Cada um de nós como seres únicos e irrepetíveis que somos, temos conceitos de felicidade bem distintos. Gostava de ver quem acredita nesse conceitos e leis da "treta" a darem uma explicação por exemplo; a uma das muitas crianças cancerosas em estado terminal que infelizmente vemos nos nossos hospitais, a um ser humano do Biafra desprovido daquilo que é mais essencial e para nós é banal, aos jovens que diariamente lidam com espirais de ódio e violência sem a mais pequena esperança no conflito israelopalestiniano, enfim. São só exemplos.
Como é óbvio existem coisas na nossa vida, nas quais conseguimos ter algum controlo, ainda que relativo. Mas em muitas outras coisas por vezes não temos qualquer hipótese de controlar seja o que for. E a vida só tem segredos para que se recusa a aceitar aquilo que a vida lhe dá e tira. É a "Lei da Negação", e a comum psicologia explica isso. Se não reconhecermos o mal, como alguma vez saberemos o que é o bem? Fica a questão.
A adesão a estas "Tretas", faz-me lembrar uma parada (outra visão que tive).
A parada da humanidade "Tetra Pak". Bonitas embalagens, flexíveis, facilmente manipuláveis, descartáveis e amigas do ambiente, mas completamente ocas. Porque o essencial é um bom ambiente. :)
Atitude positiva perante a vida, é importante, mas não é tudo.
O essencial é "Carpe diem". Sem segredos.
Como algo que ouvi recentemente dito por um amigo;
"Há que viver como se não houvesse amanhã!"
Abraço revolucionário para os meus amigos.





2 comentários:
Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir
um castelo…”
Alguns leitores questionam a autoria do “texto inspirador”.
“(...) Pretendo ser discreto e não quereria ofender a senhora jornalista, que transborda de boas intenções e a quem desejo (como à maior parte das pessoas…) que seja muito feliz assim — ainda que, em semelhantes circunstâncias, me ocorra, com insistência, um brevíssimo conto de Voltaire sobre espécies de felicidade… Mas tenho bastante dificuldade em imaginar que um tal acervo de banalidades, mesmo muito bem intencionadas e inspiradoras, alguma vez se tenha encontrado com a complexa intelectualidade de Pessoa, nem mesmo em momento de ternurenta elaboração de uma carta para a Ophélinha. Além de que, literariamente, o textinho é muito pobrezinho… e isso, nem nas cartas para a Ophélinha! Acresce ainda que é basto notória a genealogia brasileira do escrito, com formulações sintácticas que, se hoje desgraçadamente contaminam a escrita deste lado do Atlântico, no tempo de Pessoa não eram sequer usadas na outra margem do dito, ao menos nos meios literários…
Como é que ninguém se apercebe disto?!
Temo que, ao publicar o textinho, sem que ninguém notasse a incongruência, o ‘PÚBLICO’ lhe dê uma legitimidade inesperada (ainda se acredita no que vem nos jornais de referência), uma caução cultural reforçada, que sustente a convicção (sempre bem intencionada, com boa onda e muito karma) dos que continuam a não entender que a NET é um recurso muito importante, mas também muito perigoso, pois muito do que por ela viaja não tem qualquer validação…
Será que vou deparar com uma rectificação numa das próximas edições do ‘PÚBLICO’?
É claro que, se algum especialista em Fernando Pessoa me disser de que arca ou baú surgiu esta prosa, prometo que irei de burel e baraço em romagem ao Altar da Ignorância. E aceitarei, finalmente, como provado que o poeta uma ou outra vez abusaria do álcool e… não resistiria, mesmo assim, a escrever…”, escreve Paulo Rato, um leitor de Queluz.
Fica aquilo que é um segredo, uma teoria, mas que para muita gente foi e é uma realidade de regeneração. Havendo vontade para fazer a caminhada, é passível de erro e falível para muitos. Mas aplica-se não só a AA, mas também a quem precisar de orientação. Quem tenha perdido o azimute. Claro que o poder superior é questionável, mas enfim, acreditar é percorrer metade do caminho.
Os Doze Passos
Os Doze Passos (para os Alcoólicos Anônimos) são:
1. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
2. Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.
3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.
4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exacta de nossas falhas.
6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de carácter.
7. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
8. Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
9. Fizemos reparações directas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.
10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contacto consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.
12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a esses Passos, procuramos transmitir essa mensagem aos alcóolicos e praticar esses princípios em todas as nossas actividades.
Não devemos deixar que as virtualidades se tornem realidades presentes em nossas vidas.
"Keep it real" :)
Saudações Revolucionárias.
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