segunda-feira, 19 de novembro de 2007
A brincar a brincar...
Cá está o tributo aos "Homens da Luta".
Fica uma grande frase que ouvi hoje:
«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.»
"Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta
Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!"
Alberto Caeiro
O poema, dedico à beleza oculta em pequenos gestos.
Um bom resto de semana para os meus amigos revolucionários.
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13 comentários:
Engraçado. É o meu Poeta favorito. De todos...
Descobri recentemente, porque nunca tinha tido na mão, um livro de um outro heterónimo, este menos conhecido.'Bernardo Soares' -O Livro do desassossego.
Por agora, e porque a cabeça ainda não me permite enfiar-me num 'livro novo' a menos que esteja escrito em Inglês e certificado pela Universidade de Cambridge, mantenho a preferência por Caeiro, poeta da natureza, mas que fala acerca de outros temas. Não sei se alguma vez elegi algum dos seus poemas, mas sem duvida, pelo menos aos meus olhos, que este é um dos melhores:
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
Alberto Caeiro
Obrigado pelo bom gosto do teu contributo, espero que o poeta tenha tido um final feliz no seu dilema.
Finais felizes são coisa rara nestes dias de hoje.
Deves saber que o final deste poeta não foi muito feliz. Essa infelicidade nos finais, já deve ser coisa que vem de há muito.
''É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o Sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.''
Alberto Caeiro
Felizes de nós, os que gostamos das coisas simples. Saudar o sol devia ser coisa que tornasse mais pessoas felizes. Infelizmente, não é.
Deve ser com conhecimento de causa que afirmas tal coisa, com certeza.
Às vezes é necessário complicar para simplificar os nossos fins.
Gestos simples, relações complicadas, finais por escrever...depois falamos, espero eu.
Boas,
Bem este gajo é tem tudo menos de poeta, ainda para mais vindo de um gajo completamente comido da cabeça pelo ópio, e que viveu cerca de 10 anos em Africa do Sul onde vangloriou das vantagens do Aparthied...cruzes credo...
Ainda estou para descobrir o que viram nele para o considerar o "poeta" que consideraram, enfim...
Vivo la revolución!!! Mas à Próxima que a ultima não deu em nada!!!
Da boca do mais virtuoso também pode ser fruto a maior das barbaridades. Assim sendo, dou ao artista o beneficio da duvida, ainda assim é de lamentar. Desconhecia essa faceta do Pessoa, seguramente se sua raça fosse diferente, não opinava nesse sentido.
:)
Ópios todos nós os temos, em grande parte não resulta é nada positivo de nossos vícios. Vendo as coisas nessa perspectiva, ele canalizou bem essa criatividade, se virmos como eu vejo a poesia como algo de positivo.
Obrigado pelo teu contributo "sangrento" Blood Revolution.
Grande abraço.
O Fernando Pessoa nunca fumou ópio. O Ricardo Reis sim. É diferente.
Boas,
Desculpa Isabel, mas ou não conheces Fernando Pessoa, ou então não estas a querer ver o ponto dramático a que este homem chegou.
Ele, Fernando Pessoa, é exactamente a mesma pessoa que Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Estes foram os seus 3 heterónimos criados fruto da sua imaginação (bastante fertil diga-se de passagem!) que personificavam os seus diferentes estados de espirito, se Ricardo Reis consumia Opio, então era uma parte de Fernando Pessoa que o consumia também. Rigido na educação que recebeu da sua mãe. Traumatizado pela Morte do pai (vitima de Tuberculose) em 1893 (tinha apenas 5 anos) e com a morte do irmão (Jorge) apenas um ano depois (1894). Creio que tanto tormento, recheado com umas excelentes doses de Opio e Alcool, alias causa da sua morte (quando foi internado 30 de Novembro de 1935 no Hospital de S. Luís dos Franceses, com uma colica Hepatica) só poderiam dar nisto.
Demencia total, Cerebro totalmente comido, e umas ideias que deixam muito a desejar.
Sinceramente e apesar de ter um conhecimento profundo do "poeta" não vejo onde é que ele encantou com as suas obras, pois é tudo extremamente divagador e sem nexo.
Enfim fica a minha opinião, Valida ou não...não deixa de ser minha.
Vivo la revolución!!! Mas à Próxima que a ultima não deu em nada!!!
Terminas sempre com essa frase em Espanhol e eu fico confusa....
Glup!
A revolução pode não ter 'dado em nada' mas contempla-te com a liberdade de poderes ler um livro, seja ele de FP, ou do que mais queiras. Isso seria algo que deviamos ter como adquirido já de principio, mas infelizmente, antes de eu nascer (mesmo em cima da revolução) isso era impensavel.
Haja liberdade para podermos beber uns canecos quando estamos fulos com a vida, e dar uns pontapés nas paredes, e dar uns gritos. Ninguém quer saber, e eu (pessoalmente) adoro a liberdade que essa 'ignorância' me oferece.
Ora vamos lá ver...
De facto o homem teria a sua dose de loucura, mas tb diga-se de passagem...qual de nós se atreve a dizer que a não tem? O poema que escrevi aí pra cima, foi o ultimo que ele 'rabiscou' num papel no dia da sua morte. Estava internado, como tu dizes e muito bem, morreu de cirrose.
Mas olha que entre ele e a Florbela Espanca, a quem não se conheceram vicios (tanto quanto sei) venha o diabo e escolha. A mulher enfia um balásio na cabeça, ali em Matosinhos, porque era apaixonada pelo.....irmão!!!
Yikes!
Isso, no entanto, não lhe tira a qualidade na escrita. Tens que concordar que escrever um soneto, composto por:
4 estrofes, normalmente 3 com 4 versos cada e uma ultima com 3 versos, e cada um destes contando dez silabas MÉTRICAS, não é para qualquer cérebro 'sóbrio e saudavel', aí digo 'venham as drogas' porque herdamos delas, uma qualidade brutal de escrita e que em muito enriquece a nossa qualidade literária.
Honestamente, fiquei surpresa quando encontrei um livro de FP traduzido p/ Inglês em plenos Estados Unidos.
Isso deve querer dizer que os gajos que até entendem de letras, o consideram de facto bom.
Agora as opiniões, já se sabe....a tua é a tua, não é melhor nem pior do que a minha, só diferente, o que não faz dela menos válida. O importante é que as pessoas saibam do que falam quando opinam, e não digam babuseiras da boca pra fora só porque sim, o que não é o caso. Parece-me que conheces o que eu considero dos melhores poetas Portugueses, mas há muitos mais, e bons!
E para terminar, FP não nos deixa contar apenas com estes heterónimos, os mais conhecidos sim, Alberto Caeiro (meu favorito, poeta da natureza, boa cabeça) Ricardo Reis, (médico apesar das drogas que consumia 'extra'), Álvaro de Campos, (o Sr Engenheiro mecânico ggggggggggggggrrrrrrrrrrrrrrgggggggghhhhhhhhhhhhh), mas sim, com quase 30 heterónimos. Não me parece que sejam todos conhecidos, apesar de eu ter a obra completa do poeta em 'hard cover', mas aconselho-te a passares pelo 'Livro do Desassossego' -Bernardo Soares. Já tenho ali para ler. Quando a cabeça me deixar.
Olha que é bom.
Deixo mais um, vejo-me muito nele, muitas vezes, tb de eleição, apesar de por vezes dificil de ser lido! (este heterónimo)
O que há em mim é sobretudo cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
Podes não gostar de FP, mas é inegavel a qualidade com que escreve.
Adoro a forma como descreve a 'história do Menino Jesus' por Alberto Caeiro, é de uma simplicidade tão longinqua da complexidade do Ricardo Reis e do Álvaro de Campos, que por vezes me esqueço que foram as mesmas mãos que escreveram tudo isto.
(peço desculpa por me ter 'esticado' no tamanho do texto, mas entusiasmo-me com facilidade quando se fala de poesia, e principalmente de FP-sorry)
Boas,
Não ponho em causa de cada pessoa tem tanto de Génio como de doido...
Mas sou mais na onda de Antero de Quental, esse sim um grade poeta, alias em todas das 3 fases poéticas que atravessou.
Mas mesmo esse não decansou enquanto não enfiou um balasio, corrigo, 2 balasios na tola...
Vivo la revolución!!! Mas à Próxima que a ultima não deu em nada!!!
Então concordas comigo. Todos temos um pouco de loucura dentro de nós. O importante é never to loose Control ;)
Permite-me discordar novamente, eu concordo quando a "loucura", "doidez", ou "maluqueira" como lhe queiras chamar seja o fruto de um espirito aberto e estrovertido, agora quando é deturpado por substancias quimicas peço imensa desculpa mas isso não é doidez, mas sim masoquismo e da-me pena que alguém para ter um rasgo de génio ou para ter uma pura diversão necessite disso!!! As drogas (duras ou leves)estimulam o cerebro das mais diversas formas e como tal é como se o Poeta comparado com o Atleta, utiliza-se doping para ter os seus rasgos de génio!!! RIDICULO! Creio que cada um é o que é, e como tal deve-o ser da forma que o é, agora estar a detrupar a essencia da sua natureza ou do seu ser...ERRADO, conclusão só dá nisto mesmo, Depressões, ilusões irrealistas do conceito do viver e maioria dos casos, suicido seja ele fisico ou mental.
Mais uma vez digo é apenas a minha humilde opinião.
Perfiro ter os meus rasgos de génio ou não, se calhar ser burro que nem um calhau, mas ter o meu cerebro no sitio...
Vivo la revolución!!! Mas à Próxima que a ultima não deu em nada!!!
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